Deus nos escolheu e nos constituiu continuadores de sua vida e de sua obra. Louvado seja Deus!

Total de visualizações de página

Mínimas e Máximas

Páginas

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Irmãos, não faleis mal uns dos outros (Tg 4, 11)

Falar mal de alguém parece coisa insignificante, corriqueira, todo mundo faz, mas...
se eu falo mal de alguém, verbalmente ou por outros meios;
se você fala mal de alguém;
se nós falamos mal de alguém,
esse alguém de quem falamos mal a outro alguém pode tomar uma dessas atitudes:
- concordar, apoiar e até divulgar o que ouviu.
- ficar em silêncio, censurando-o com o seu silêncio; o assunto morre ali, não passa adiante.
- corrigir o irmão que fala mal, corrigir na hora.
- vamos os dois até a pessoa objeto da difamação para certificar-nos da verdade na fonte.

No primeiro caso, estou fazendo o papel do diabo, levando a pessoa a concordar comigo, o que é pecado de escândalo. Eu peco e levo outro a pecar comigo. Escândalo é exatamente isto: levar uma pessoa ao pecado com palavras, comportamentos e modas inconvenientes.


Se o falatório, murmuração ou maledicência for divulgado, eu serei responsável também pelo pecado de todas as demais pessoas que se simpatizaram. É um pecado em série, e por todos estes pecados eu serei responsável perante Deus. Mesmo que eu me arrependa e procure o sacramento do perdão, o meu pecado só será perdoado se eu procurar cada uma das pessoas envolvidas, pedir perdão e pedir que, por sua vez, vá procurar o perdão de Deus no Sacramento da Confissão, e o mesmo faça ela, se levou mais alguém por este mau caminho.

Pode acontecer que a maledicência se espalhou de tal maneira que não se tem condições de reparar o mal. É como soltar as penas de um travesseiro do alto de um edifício em dia de grande ventania e depois descer para recolhê-las todas. Como vou reparar o pecado que, por minha culpa, muitas outras pessoas cometeram? Há alguma saída? - Há, sim. Pedir a Deus que abençoe e ilumine todas as pessoas atingidas pela maledicência da qual eu fui a fonte. Rezar por elas, fazer penitências e multiplicar as obras de caridade corporais e espirituais. Faça orações, sacrifícios e penitências para que Deus toque o coração dessas pessoas e também elas se reconciliem com Deus.

Divulgar os erros supostos ou reais dos outros é como cometer, em certo sentido, um homicídio; é ferir e até matar a pessoa em sua fama, obrigando-a até a mudar de lugar. O sétimo mandamento condena isso.

Desmoralizar, “revelar a má conduta, caráter ou intenção de alguém” é um pecado no qual, se a gente cai, o diabo fica feliz porque estaremos fazendo o seu trabalho. Ele aplaude. É isto que ele quer. Ele fica sentado de braços cruzados vendo feliz - de uma felicidade infernal - vendo você a fazer o trabalho dele.

Certa vez Jesus chamou o apóstolo Pedro de Satanás. Por quê? Em determinada ocasião falava Jesus a seus discípulos que precisava ir a Jerusalém e ali sofrer muito da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitar ao terceiro dia.

Ouvindo essas palavras, o apóstolo Pedro começou a dizer: “Senhor, Deus não permita isto! Isto não te acontecerá”. Pedro, sem saber, estava fazendo o papel do demônio, tentando Jesus, levando-o a não obedecer a Deus que o enviou ao mundo para salvar a humanidade, morrendo pregado na cruz. Sem este sacrifício de Jesus, o plano de Deus não se realizaria e Pedro, sem se dar conta, queria anular a decisão de Deus. Toda a vida de Jesus estava orientada para esta hora e aí Pedro, vendo Jesus entristecido e querendo animá-lo, lhe diz: “Senhor, Deus não permita isto! Isto não te acontecerá”. Jesus, voltando-se para ele, disse-lhe: “Os teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens; afasta-te, Satanás, tu és para mim um escândalo”, isto é, queres me levar ao pecado, queres que eu vá contra a vontade de Deus, não realizando o seu desejo, razão da minha vinda neste mundo.

Toda vez que escandalizamos alguém, estamos fazendo o papel de Satanás. É o escândalo ou pedra de tropeço: coloca-se uma pedra no caminho de uma pessoa para que ela tropece e caia.

Cometendo deliberadamente pecados veniais, a nossa amizade com Deus não é perfeita. Ora, existe amizade imperfeita? Ou ela é perfeita ou não é amizade.

Quando falamos bem dos outros, somos benditos.
Quando falamos mal dos outros, somos malditos.
O que é bendizer? É dizer bem.
O que é maldizer? É dizer mal.

O apóstolo Tiago diz-nos na sua carta (na sua comunidade devia haver muitos mexeriqueiros, bisbilhoteiros): “Se alguém julga que é religioso, não refreando a sua língua, mas seduzindo o seu coração, a sua religião é vã” (Tg 1, 26).

Logo adiante ele diz: “Se alguém não peca em palavras, este é um homem perfeito, capaz de suster com freio todo o corpo. Com efeito, quando pomos o freio na boca dos cavalos, para que nos obedeçam, também governamos todo o seu corpo” (Tg 3, 2-3).

Ele ainda insiste: “Vede também as naus, ainda que sejam grandes e se achem agitadas de ventos impetuosos, com um pequeno leme se voltam para onde quiser o impulso do que as governa. Assim também a língua é um pequeno membro, mas pode gloriar-se de grandes coisas. Vede como um pouco de fogo incendeia um grande bosque! Também a língua é um fogo, um mundo de iniquidade. A língua está entre os nossos membros e contamina todo o corpo e inflama todo o nosso viver, sendo ela mesma inflamada pelo inferno. Todas as espécies de alimárias se domam, porém a língua nenhum homem a pode domar; mal inquieto, cheia de veneno mortífero. Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens que foram feitos à semelhança de Deus. Da mesma boca procede a bênção e a maldição. Se alguém não peca em palavras, este é um homem perfeito” (Tg 3, 4-10).

O Papa Francisco recordou que uma vez, na diocese em que estava antes, ouviu um comentário interessante e belo. “Falava-se de uma idosa que por toda a vida tinha trabalhado na paróquia, e uma pessoa que a conhecia bem, disse: “Esta mulher nunca falou mal dos outros, nunca fofocou, sempre estava com um sorriso. Uma mulher assim pode ser canonizada amanhã”.

Em uma comunidade cristã, a divisão é um dos pecados mais graves, porque se torna sinal não da obra de Deus, mas da obra do diabo, que é, por definição, aquele que separa, que arruína as relações, que insinua preconceitos.

Deus, em vez disso, “quer que cresçamos na capacidade de nos acolhermos, de nos perdoarmos e de nos querermos bem, para nos assemelharmos sempre mais a Ele, que é comunhão e amor. Nisto está a santidade da Igreja: em reconhecer-se imagem de Deus, repleta da sua misericórdia e da sua graça” (Papa Francisco).

Nunca fale que a paróquia está dividida, porque você pode ser uma das pessoas que provoca essa divisão. Quem fala em divisão e nada faz pela união e comunhão é um irresponsável.


UMA HISTÓRIA

Um frade havia caído em pecado. O padre ordenou-lhe que se afastasse da Igreja. Então, Bessarião, o abade, levantou-se e saiu junto com o frade, dizendo: “Também eu sou pecador”.

E ainda:

O abade Isaque chegou certa vez a um mosteiro dos frades da Tebaida, viu um frade que havia cometido um pecado e pronunciou uma sentença contra ele. Tendo, logo depois, voltado ao deserto, veio o anjo do Senhor, parou diante da porta de sua cela e disse-lhe:
- Não o deixo entrar.
E Isaque:
- Por qual motivo?
Como resposta, o anjo lhe disse:
- Deus mandou-me perguntar-lhe aonde quer que ele mande aquele frade que você hoje expulsou.
Imediatamente o abade fez penitência, exclamando:
- Pequei, perdão!
E o anjo:
- Levante-se. Deus o perdoa, mas de hoje em diante seja vigilante e não julgue ninguém, antes que ele tenha sido julgado por Deus.
(Citado em “Evangelhos que incomodam” - Alexandre Fronzato)

A Missa de ontem - a Missa de hoje

Antigamente, isto é, antes do Concílio Vaticano II, a celebração da Santa Missa era em latim. A única coisa em língua vernácula era a leitura do Evangelho do dia que o celebrante proferia do púlpito antes da homilia, que o povo ouvia em pé. A primeira leitura e o Evangelho já tinham sido feitas, em latim. De fato, o sacerdote fazia as leituras para si.

Eram os tempos. Tudo parecia normal. Falava-se em assistir a missa, em vez de participar. A única coisa da qual o povo participava eram os cantos, a coleta e a comunhão.

Por outro lado, o respeito com que o povo participava da Missa era profundo. Os cantos eram executados por um grupo de cantores; sustentado por um harmônio, o povo acompanhava. Ouvia-se a voz do povo porque não havia microfones. O próprio sacerdote usava do púlpito, donde via toda a assembleia e esta o sacerdote, porque ficava a quase um metro de altura acima do assoalho. O povo, embora não sabendo muito bem o que acontecia no altar, voltava para sua casa reconfortado. Quanta gente se santificou com essas santas Missas.

Conta-nos Santa Teresinha do Menino Jesus, em sua autobiografia, que voltando para casa com seu pai depois de ter “assistido” a Missa, eles conversavam sobre o que disse o sacerdote no sermão. Havia as missas simples sem cantos, com cânticos, e as solenes nas grandes festas litúrgicas.

O povo acompanhava a celebração rezando o Terço e algumas pessoas, com o missal na mão, acompanhavam a tradução do latim enquanto a missa se desenvolvia. Talvez alguém possa até rir desse jeito de celebrar e participar “assistindo”. Alguns deles não sabiam ler. Notava-se, porém, que o povo voltava reconfortado para sua casa, sentindo o bem-estar que lhe causou a celebração. A sua fé era sincera na hospitalidade e na caridade.

E hoje, como é a celebração eucarística? Como o povo participa dela? Antes não entendiam nada porque a missa era em latim. Hoje é em nossa língua, mas parece que não entendem nada. Não se vê mudança para melhor, não se vê progresso. Como o povo participa dela? Escrevo como a vejo:

O povo vai chegando e parece que não reza mais. Alguns poucos vão até a Capela do Santíssimo, mas a maioria fica nos bancos esperando simplesmente a cerimônia começar. Outros chegam atrasados. Começa um murmúrio, murmúrio de conversas que nada tem a ver com a celebração, murmúrio que, às vezes, vai aumentando a ponto de se pensar que as pessoas vieram sim, assistir, e algumas delas a participar de uma representação teatral da última ceia, na qual são atores o sacerdote, os ministros, os coroinhas, comentaristas, leitores, cantores, instrumentistas e o povo também. Lembremos, a missa não é mais em latim.

Começa o canto de entrada com os músicos e seu dirigente, que procuram animar o povo a cantar, bater palmas e, em alguns lugares, até rebolar. Cantores com o microfone em punho encobrem a voz do povo que canta. Os leitores se esforçam por fazer bem as leituras, os ministros e coroinhas desempenham bem a sua função.

Chega a hora da Comunhão e praticamente todos vão recebê-la. Sabe-se que, para receber a Sagrada Comunhão, um dos requisitos é estar em estado de graça, isto é, sem pecados graves, aliás, o primeiro requisito. Percebe-se que certas pessoas recebem em sua mão o Pão Eucarístico com displicência, indiferença, como se a Comunhão não fosse outra coisa que receber a hóstia.

Talvez haja quem entenda o ato penitencial como pedido de perdão dos pecados e concessão total do perdão, porque o celebrante diz textualmente: “Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna”. O pedido de perdão no ato penitencial é para aqueles pecados leves que diariamente cometemos mais por fraqueza do que conscientemente deliberados.

No fim da missa é aquele falatório na igreja e na sacristia: grupos de pessoas conversando alto e, às vezes, mais do que isso. Acabou a função, acabou o teatro, tecem-se elogios para os que desempenharam bem o seu papel: os cantos estavam bonitos, os instrumentos afinados, os coroinhas eram uma graça, a igreja estava bem enfeitada. Parabéns a todos os artistas. Os que comungaram, embora levem em si ainda a Presença Eucarística, ela é simplesmente esquecida, ignorada, tremenda falta de educação. Quase todos voltam para suas casas assim como vieram: vazios.

A igreja deixou de ser casa de oração, tornou-se casa de encontro entre amigos, como se estivessem numa rua ou numa praça; o povo continua ignorante na fé que diz ter; com facilidade pode resvalar para outra religião ou seita, mais ignorante do que antes.

Na missa em latim, a celebração era de fato um mistério; o povo acompanhava em silêncio profundo tudo o que se realizava no altar. Os coroinhas substituíam o povo nas respostas às saudações e convites do celebrante: “Introibo ad altere Dei... Dominus vobiscum... orate fratres... sursum corda...”. Os cantores cantavam cantos em latim, como a Ladainha de Nossa Senhora.  Os coroinhas aprendiam de cor tudo o que deviam fazer e dizer. Os coroinhas passavam por alguns dias de aprendizado, sendo-lhe dada a tradução dos textos que aprendiam de cor.

TODOS os que comungavam faziam a confissão antes. As confissões eram sempre nos sábados à tarde. No primeiro domingo do mês, a missa era das crianças que fizeram sua primeira comunhão aos 7-8 anos; o segundo domingo era o das Filhas de Maria; o terceiro, dos Marianos; o quarto ao Apostolado da Oração e outras associações menores.

Hoje, todo mundo comunga e praticamente ninguém se confessa. Dos sete sacramentos da Igreja, dois praticamente caíram em desuso: a Confissão e o Matrimônio. A instrução dos católicos é tão falha que a maioria dos anciãos e doentes morre sem receber os sacramentos. Não se diga que a responsabilidade é dos padres, que procuram fazer a sua parte. Quem deve catequizar e evangelizar a família são os pais; quem deve ser o bom fermento na massa do mundo são os cristãos com o seu testemunho de vida. A maioria das crianças que faz a Primeira Comunhão e depois a Crisma, simplesmente desaparece da igreja e os pais não fazem muita questão.


A maioria do povo hoje é alfabetizada; se não fez o curso superior, pelo menos o fundamental. Tem, portanto, condições de ler a Bíblia e de conhecer melhor a religião. Parece que isso não acontece, a ponto de o Papa Bento XVI dizer: “A ignorância do povo cristão chegou a um grau espantoso”. Tenho saudade da Missa em latim.
______________________________

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Foi o SIM de Maria



Foi o "SIM" de Maria que desencadeou a história da Salvação.

JESUS ESTÁ ENTRE NÓS


 

Jesus está presente entre nós sob as espécies do pão e do vinho na celebração eucarística, e sob as espécies de pão consagrado conservado com amor e carinho em nossos sacrários. 

Mas Ele está presente também nos seres humanos. 

Não disse Ele: "Tudo que fizerdes ao menor dos meus irmãos, é a mim que o fazeis"? 

Portanto os outros, sejam quem forem e o que forem são também espécies sacramentais da presença neles de Jesus. 

Como no pão e no vinho consagrados, também neles vemos as aparências mais diversificadas, mas, debaixo delas está o Senhor. 

Devemos dedicar-lhes todo respeito e veneração.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

As novas conversões


          A maior parte, senão todas as pessoas que se convertem à Igreja Católica, convertem-se não pelo testemunho dos católicos, mas pelas bases sólidas da fé.







PARA TRANSFIGURAR O MUNDO, A IGREJA PRECISA DE CRISTÃO TRANSFIGURADOS.

SANTA MISSA

Palavras de dois papas preocupados com abusos na Missa


      Segundo João Paulo II, recentemente canonizado, na Encíclica "Ecclesia de Aucharistia"nº52, "A Liturgia nunca é propriedade particular de alguém, nem do celebrante, nem da comunidade onde são celebrados estes mistérios."
      O Papa manifesta tristeza por ver que há abusos de invenções locais como se a comunidade fosse dona da Missa e pudesse mudá-la a seu bel prazer.
      João Paulo II cita o apóstolo Paulo aos coríntios, que se insurgiu contra o desrespeito às celebrações já no início da Igreja, onde cada qual dava um jeito de viver a Missa à sua maneira, como se fosse sua. e lembra as palavras "skísmata" = divisões e "airéseis" = grupo separados.
      Finalmente o Papa diz com palavras vigorosas: "A ninguém é permitido aviltar este mistério que está confiado às nossas mãos; é demasiado grande para que alguém possa permitir-se de tratá-lo a seu livre arbítrio, não respeitando o seu caráter sagrado, nem a sua dimensão universal. Qualquer mudança tem que passar pelas autoridades para tal constituídas."
      
      O Santo Padre Bento XVI, por ocasião do encerramento do 50º Congresso Eucarístico Internacional da Irlanda, no dia 17 de junho de 2012, disse o seguinte:
      "A renovação das fórmulas litúrgicas externas desejada pelo Concílio Vaticano II, visava tornar mais fácil a penetração na profundidade íntima do mistério; o seu verdadeiro objetivo era levar as pessoas a um encontro pessoal com o Senhor presente na Eucaristia e, portanto, com o Deus vivo, de modo que, através deste contato com o amor de Cristo o amor mútuo dos irmãos e irmãs também pudesse crescer.
      Todavia, não raro, a renovação das formas litúrgicas manteve-se a nível exterior, e a participação ativa foi confundida com agitar-se externamente. Por isso há muito a fazer na senda duma real renovação litúrgica."

                                                           *****************

segunda-feira, 1 de junho de 2015

POR QUE A IGREJA COBRA ESPÓRTULAS E TAXAS?


- Para que as pessoas valorizem o que recebem.

- Para que a oferta, por parte da pessoa, se aproxime o mais que puder do valor do que pede e recebe.

- Um valor mínimo estabelecido ou um valor espontaneamente dado não caracteriza taxa ou cobrança por algo de grande valor, que se pede e recebe. Se o valor é dado em reconhecimento e gratidão pelo muito que se recebe, tal deveria ser o espírito do ofertante. Do contrário, a oferta se torna uma esmola da qual Deus não precisa e a Mãe Igreja não gosta de receber.


- Pedir a joia da Santa Missa para oferecê-la a Deus em ação de graças por um favor recebido e não fazer um sacrifício por isso é ingratidão manifesta, é agradecer com ingratidão. É claro que a pessoa que assim procede não o faz de caso pensado. Ou se esta joia é oferecida em favor de um familiar falecido... será que ele a aceitará sabendo que a família na terra fez pechincha ou gastou sola procurando a igreja onde a espórtula fosse livre ou mais em conta? Além do mais, as ofertas e taxas foram estabelecidas no Antigo Testamento. No Novo Testamento vigora mais o conhecimento, o reconhecimento, a gratidão.

A MISSA É UMA FESTA

Sim, a Missa é uma festa, mas não como as festas deste mundo, com muitos comes e bebes, música e dança – ela pode ter tudo isso, mas de maneira diferente. Não é a Comunidade dos filhos de Deus que faz a festa, mas é o próprio Deus que a promove e a ela convida todos os seus filhos. Nem todos aceitam.

“A quem tem sede, darei água para beber, de graça, da fonte da água da vida” (Ap 21, 6).

“Aquele que tem sede, venha, e quem quiser receber de graça da água da vida” (Ap 22, 17).

“Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Como dizem as Escrituras Sagradas: rios de água viva vão jorrar do coração de quem crê em mim” (Jo 7, 37).

“O Reino do Céu é como um rei que preparou uma festa de casamento para seu filho.”

A Missa é uma festa preparada por Deus para a Comunidade de fiéis; afinal de contas, o pão com que somos alimentados é o pão da Palavra, fornecido por Deus, e sobretudo o Pão vivo descido do céu, Jesus Cristo.

Portanto, devemos nos aproximar da Santa Missa com humildade, como convidados, porque a refeição é um banquete real. Somos indignos de participar desta festa; Deus, porém, não quer que fixemos demais a atenção em nossas fraquezas. Ele nos chama, convida, insiste para que vamos a Ele. Uma coisa só Ele pede de nós e nos dá condições para fazer:  apresentar-nos à festa com traje de gala com o qual fomos por Ele revestidos no dia do nosso Batismo, a veste nupcial da graça santificante. Se por ventura pecamos e estamos com a veste suja, manchada, antes de irmos à festa passemos pela lavanderia purificadora da confissão sacramental. Ali, toda mancha desaparece quando sobre ela cai o detergente poderoso do sangue de Jesus. Ele nos pede que nos demos ao pequeno mas humilde trabalho de comparecer com ela, a veste manchada, para que Ele a lave no sangue de seu Filho Jesus que jorra abundantemente no sacramento que Ele instituiu para tal fim. A nós Ele pede as lágrimas de um arrependimento sincero que molha as manchas, mas não tem a eficácia de removê-las. Só o sangue de Jesus tem este poder.

Quando saímos de uma boa confissão, sentimos que fomos purificados, sentimos que estamos limpos e que a branca veste está brilhando de limpa. Assim, com toda confiança e alegria, entramos na sala do banquete, a igreja, onde se celebra a Santa Missa, para dela participar.

Deus não se recusa receber nossos pobres presentes que colocamos junto com o grande presente que Ele coloca em nossas mãos para lhe ofertar, Jesus. Assim, tudo o que somos e temos e que também de Deus recebemos, tudo o que nos faz sofrer, nossas dores, tristezas, mas também o que nos faz exultar e alegrar, as obras de misericórdia em favor de nossos semelhantes, adquirem algum valor e o Senhor as valoriza ao máximo. Tudo isso, com Jesus, pode ser oferecido ao Pai, de modo que podemos comparecer ao banquete levando algo como presente nosso. É a nossa colaboração para a festa, simbolizada na oferta material que fazemos.

* * * * *

TUDO NA MISSA deve convergir para o altar e para o que nele se realiza, e para quem nele se faz presente. De maneira particular, os cantos têm esse condão. Quem toca um instrumento e quem convida a comunidade presente a cantar, não pode esquecer disso. Devem fazer todo o possível para que o povo, com o seu canto, aproxime-se de Deus. Quando o canto for um solo, como por exemplo, o salmo, deve ser de tal modo executado que eleve os espíritos, aproximando de Deus as pessoas.

Ninguém deve ter a pretensão ou a ousadia de chamar atenção para si mesmo: nem os cantores, nem os leitores e muito menos o sacerdote celebrante. Todos devem seguir o ditado expresso por S. João Batista: “É preciso que ele – Jesus- cresça, e eu diminua.” (Jo 3, 30) Que Ele cresça e que eu desapareça.

A festa, a refeição –banquete tem sobre a mesa iguarias – sinais aparentemente muito simples, quais sejam, a Palavra de Deus lida com perfeição e ouvida com muita atenção, o pão e o vinho transubstanciados no Corpo do Senhor, seu sangue, alma e divindade, numa palavra: a Sua Pessoa.

Uma Missa assim celebrada e participada muda a vida das pessoas e da comunidade por consequência. Não podemos nos aproximar da mesa sagrada como se nada devêssemos. É verdade, humilhamo-nos no ato penitencial, e no “Senhor eu não sou digno”, tomando depois as atitudes de santos com todos os direitos.

“Ó sacrum coinvivium in quo Christus súmitur, meus impletur gratia et futuras gloriae nobis pignus datur” (Ó sagrado banquete no qual se recebe o Cristo, a mente enche-se de graça e nos é dado o penhor da glória futura”).

Minimas e Máximas [I]

O FUTURO DA CIVILIZAÇÃO depende da resposta católica aos valores da família. Só as famílias católicas que estejam dispostas a aceitar todos os desafios poderão sobreviver como católicas ao longo do terceiro milênio.  Famílias medíocres afastar-se-ão da verdadeira fé e morrerão. Apenas famílias heroicas e evangelizadoras sobreviverão. (Pe. Robert Fox, Pároco nos Estados Unidos, autor de 30 livros de expressão pastoral).                                        

NUMA DEMOCRACIA não deveria existir greve pelo simples fato de ser democracia. Se alguma greve pudesse existir seria a dos governantes, porque são eles os trabalhadores contratados pelo povo. O povo é o patrão. Se um governante não estivesse trabalhando de maneira satisfatória, deveria se despedido. O patrão não deve fazer greve (patrão que, no caso, é o povo) pelo fato de o trabalhador trabalhar mal.

O MUNDO QUE SE DIZ CIVILIZADO, de civilizado tem muito pouco. Na verdade, é mais um mundo incivilizado atualmente, porque é o mundo do “homo hominis lúpus” ou do salve-se quem puder, ou do quem pode mais chora menos. Se Tomas Hobbes, o filósofo (1588 -1679) que dizia isto dos homens do seu tempo, com maior razão diria dos homens do nosso tempo. O mundo verdadeiramente civilizado é o mundo dos santos, também dos santos eremitas do deserto.


O REINO DOS CÉUS É UM TESOURO DE GRANDE VALOR pelo qual quase ninguém se interessa, como se Deus fosse um falsário. Se alguém reconhece o seu valor e quer ser dono desse tesouro, consagra o mais que pode do seu tempo para estar com Deus em oração meditativa e contemplativa; tendo tempo, participa da Santa Missa também durante a semana; e se dispõe a servir o próximo, sobretudo os pequeninos, pobres e doentes.

SANTA MISSA, Sacrifício de Jesus, memorial da sua paixão. Se há alguma razão para se alegrar é alegrar-se chorando.

DIZIA SANTA TEREZA que esta vida é como uma noite mal dormida numa pensão mal assombrada.

TUDO O QUE HÁ NO MUNDO, as paixões da natureza, a concupiscência dos olhos e a ostentação da riqueza, não vem de Deus, mas do mundo. Ora, o mundo passa, e também a sua concupiscência, mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre. “(Jo 2, 16-17)


Mínimas e Máximas

VOCÊS JULGAM AS COISAS PELA APARÊNCIA
Se uma pessoa tem  certeza de pertencer a Cristo, deve pensar de novo a respeito disso, pois nós também pertencemos a Cristo tanto quanto essa pessoa (2Cor 10, 7).
RESPEITO AOS PAIS
Quem teme o Senhor honra seus pais.  O prolongamento da vida dos filhos depende da submissão amorosa e obediência aos pais. Honrar e respeitar os pais, socorrê-los em suas necessidades, compadecer-se deles e ajudá-los  na velhice, ter piedade para com eles é dever dos filhos e cumprimento da vontade de Deus.
FAZER A PÁSCOA é passar da morte do pecado para a vida em Deus, o que é mais do que passar da escravidão para a liberdade, como foi a Páscoa antiga. Jesus foi o primeiro a fazer a nova Páscoa. A segunda pessoa foi a mãe de Jesus, Maria, que foi assunta ao céu em corpo e alma.
MAOMÉ FUNDOU UMA NOVA RELIGIÃO porque para ele o judaísmo e o cristianismo fracassaram. Os protestantes fizeram o mesmo, dizendo que a Igreja Católica se perdeu no caminho. Por que existem filosofias orientais que pretendem ser religião? Porque olhando as aparências, o Cristianismo está desacreditado.
PODE-SE HOJE AVALIAR A EDUCAÇÃO NO BRASIL pela maneira como se comportaram o candidato e a candidata nos debates eleitorais pela televisão: o mau exemplo que deram com falta de respeito de um pelo outro, confessando cada qual, em público, os pecados, os erros um do outro. Má educação extrema.
"QUANDO TRABALHAMOS, deixamos uma parte de nós mesmos naquilo que produzimos” (Francisco Borba).

FAMÍLIA, PEQUENA IGREJA


O Concílio Vaticano II chama a família de “pequena igreja”. Igreja significa: pessoas que se reúnem ao chamado de Deus para orar, para ouvir a Palavra, entendê-la, meditá-la, conformar a vida com ela, agradecer, pedir.
Para ser pequena igreja, a família, isto é, o pai, a mãe e os filhos e eventualmente outras pessoas devem reunir-se freqüentemente com Deus, todos os dias até.
A pequena igreja que é a família relaciona-se necessariamente com a Igreja maior que é a comunidade paroquial, que é constituída por todas as pequenas igrejas que são as famílias. 
A perseverança das famílias como pequenas igrejas depende da sua união com a Igreja maior que é a casa de Deus e casa comum de todos os filhos e filhas de Deus.
Nenhuma família pode ser igreja sozinha. Ninguém pode ser igreja sozinho, porque igreja é termo coletivo. Não se pode chamar de colmeia uma abelha, assim como um rebanho não é constituído por uma só ovelha.
O desejo de Jesus é que haja um só rebanho conduzido por um só pastor, que é ele mesmo, ajudado por muitos outros que, em comunhão, conduzem o rebanho para boas pastagens e águas tranquilas.

ALMAS DOS JUSTOS, bendizei o Senhor (Daniel 3,86)

Vivemos um cristianismo diluído, um cristianismo que não tem mais a força do fermento, um cristianismo que se adapta facilmente às idéias do mundo pelo qual Jesus não rezou. Isto faz que  cristãos leigos ou padres não tenham fibra cristã, e se tornem facilmente adaptáveis às condições do mundo. O sacramento da confissão não é mais o canal da graça do perdão; hoje, indiscriminadamente, "todo mundo" vai receber a Sagrada Comunhão. O pecado não existe.  Hoje, todos devem ser acolhidos sem alguma exigência, enquanto o mundo faz as suas.

O dia mais importante da história do mundo foi a morte de Jesus na Cruz. Depois, o "sim" de Maria. Abriu-se para todos o caminho da salvação. Mas a vinda do Filho de Deus ao mundo dependeu do "sim" de Maria. Foi Jesus quem nos salvou, mas foi Maria quem abriu a porta para a vinda do Salvador. 

Algo de errado em tudo isso? Deus sempre quis contar com a colaboração de pessoas na realização de seus maiores planos. Deus quer parceiros. Ele quer dividir a alegria das maravilhas que realiza, embora seja sempre ele o autor principal, e não podia ser de outra forma. Se uma pessoa se coloca à disposição de Deus como serva, ela realiza maravilhas que superam as possibilidades humanas.

A  Deus nada é impossível. Pode uma simples mulher, jovem mulher ser Mãe de Deus? Pode o Filho de Deus, em tudo semelhante ao Pai, se tornar um ser humano? Posso dizer que Jesus é o meu Rei? Pelo modo como eu trato este Rei ou pelo modo como me comporto em minha vida, este Rei pode ser:

- Um Rei a quem não dou atenção e valor.
- Um Rei que facilmente substituo por outros.
- Um Rei que menosprezo e, quem sabe, até desprezo.
- Um Rei ridicularizado.
- Um Rei do qual me envergonho.
- Um Rei por cuja defesa não combato.
- Um Rei desconhecido porque não me interesso em conhecê-lo.
- Um Rei condenado, diante do qual me calo.
- Um Rei sem exército, porque seus soldados não têm tempo.
- Um Rei da boca pra fora.
- Um Rei a quem me recuso a servir.
- Um Rei que não ocupa o primeiro lugar em minha vida.

- Um Rei...

UM CAMINHO PARA A PASTORAL DA ACOLHIDA



            Todo mundo sabe o que significa “acolher”: receber com atenção uma ou mais pessoas, atender, ter em consideração, recepcionar.
            Onde começa o acolhimento? – Com a própria pessoa. Cada pessoa precisa acolher-se, isto é, aceitar-se como é. Para tanto, precisa conhecer-se. Conhecer seu gênio, seu caráter, seu temperamento, seus talentos, suas virtudes, enfim, suas qualidades físicas, morais, artísticas, de inteligência, de vontade, seus sentimentos, suas reações, suas potencialidades, e também suas falhas e defeitos, umas para desenvolver e praticar, outras para corrigir ou extirpar.
            Compete aos pais e educadores descobrir na criança, no menino e na menina as suas qualidades e seus defeitos e, de maneira adequada, torná-los conscientes dos valores que possuem, a maneia certa de usá-los para o seu aperfeiçoamento. A pessoa se realiza usando seus carismas em favor dos outros, valores inesgotáveis que possui. Só o egoísmo faz a fonte secar. É no amor ao próximo e no serviço a ele que a pessoa se realiza.
            Portanto, antes de ser acolhida pelos outros (aliás, ela já foi acolhida ao nascer e espera-se que tenha sido bem acolhida), a pessoa precisa acolher-SE. Este acolhimento facilitará os outros que virão ao longo de sua vida.
            O primeiro acolhimento interpessoal se dá na família. Marido e mulher, pais e filhos devem acolher-se para constituírem uma família feliz. A família é a primeira escola para os filhos e mais uma escola para os pais. Não apenas os filhos aprendem dos pais, como os pais aprendem dos filhos. Uns e outros precisam aprender a ouvir, a corrigir e serem corrigidos.
            Um lar pode ser simples, mas sempre deve ser acolhedor e são os familiares que o fazem assim e assim devem mantê-lo para que todos se sintam bem.
            Depois vem o acolhimento entre os vizinhos. Uma saudação, um sorriso, um aceno de mão são o suficiente para um acolhimento inicial. Depois uma palavra, uma ajuda, um convite no momento oportuno. Mesmo se não houver correspondência, aquele mínimo de acolhida deve persistir. “Acolhei-vos uns aos outros como Cristo vos escolheu” (Rom. 15,7). O Acolhimento faz parte da vida do verdadeiro cristão.
            Como seria bom que houvesse alguém, pelo menos duas pessoas que aumentassem o círculo da acolhida, fazendo-a passar dos vizinhos para as familias da quadra inteira. Todos, em determinados momentos, precisamos uns dos outros. É bom que haja essa amizade discreta entre todos, com os olhos abertos para ver quando alguém precisa de uma ajuda.
            Isto feito, não haverá dificuldade de todos sentirem-se bem na Igreja, quando em domingos e outros dias festivos se reunirem. Não haverá necessidade de muitas mesuras, porque ali todos se sentirão irmãos, membros da grande família de Deus, onde todos rezam: Pai nosso que estais no céu... e aqui entre nós também.
            Para que a boa acolhida aconteça em todas as instâncias é necessário banir as fofocas e os juízos temerários e fazer uso da correção fraterna individual da qual todos precisamos, porque ninguém é perfeito, correção feita com toda caridade e humildade. “Não façais nada com espírito de rivalidade ou de vanglória; ao contrário, cada um considere com humildade os outros superiores a si mesmo, não visando ao próprio interesse, mas ao dos outros” (Filip. 2,3).
            “Caríssimo, pratica obras de fé em tudo o que realizas para teus irmãos” (3Jo.8).

            O valor de uma pessoa consiste em ela ser um ser humano, independentemente da raça, cor, religião, cultura, qualidades ou vícios que possa ter.

RESPEITAR A EUCARISTIA


          Em síntese: A missa e a Comunhão Eucarística são o ápice de todo o culto cristão e a fonte de todas as bênçãos. Por isto a Eucaristia há de ser sempre recebida em estado de graça, não sendo lícito aos fiéis comungar em pecado grave, mesmo que tenham o propósito de se confessar na primeira oportunidade. O fato de alguém acompanhar uma família em festa ou em luto durante a Santa Missa não justifica a recepção da Sagrada Comunhão por parte de quem esteja em pecado grave.
          Em nossos dias é grande o número de pessoas que se aproxima da mesa da Comunhão Eucarística sem ter clara noção do que seja ou também sem preencher as condições necessárias para a dignidade do ato. Os pastores do povo de Deus têm-se preocupado com o fato. O Arcebispo de Sens (França), Mons. Gérard Dufois, publicou a respeito valioso artigo, que reproduzimos a seguir em tradução portuguesa, julgando que será útil também aos leitores do Brasil.  (Dom Estevão Bittencourt )
                                                                          ********

           “Há quem me chame a atenção para quanto é duro não ir comungar quando toda a assembléia dos participantes da Missa se dirige em fila para a mesa eucarística. Com efeito, no inicio do século XX as pessoas comungavam raramente (muitos católicos o faziam apenas uma vez por ano); em meados do século XX o jejum eucarístico e a absoluta necessidade de se ter confessado previamente detinham a maioria dos fiéis no momento da Comunhão. Hoje, porém, muitos têm a impressão de serem anormais se não acompanham os seus vizinhos de banco na igreja, indo com eles até a mesa eucarística... Em numerosos casos, o sentimento de convivência leva a ir receber o Corpo de Cristo. Penso em jovens não praticantes que, por ocasião do enterro de um amigo, vão em massa comungar. Sem preparação e sem ter a consciência do significado profundo da Eucaristia. Isto pode reconfortar, de um lado, é certo. Mas há aí um problema.
           Sinto um mal-estar quando crianças, deixadas sem orientação durante a Missa, vão comungar levianamente e voltam ao seu lugar tagarelando com os colegas. Ou quando adultos me apresentam um recipiente plástico para receber a hóstia consagrada que eles levarão a um enfermo ou a uma pessoa idosa. Colocam-na numa sacola de mão, juntamente com mantimentos comprados e outros objetos.
           Por certo, não menosprezo a graça da Eucaristia nem o fato de que a Comunhão dos participantes da Missa, hoje melhor do que ontem, exprime o pleno significado da sua celebração. Vivida na interioridade de uma profunda caminhada espiritual, ela é, para o povo de Deus, o Pão da Nova Aliança. E isto constrói a Igreja na unidade e na caridade. Mas existem formas visíveis de respeito que favorecem a oração; a falta destas formas pode banalizar a Comunhão, tornando-a um costume  superficial, sem consciência do dom de Deus à sua Igreja ou sem consciência deste ápice da vida sacramental.
          A comunhão não é um ato de simples convivência ou solidariedade, um símbolo de amizade ou de fraternidade; ela nos faz voltar à fonte do amor, da qual freqüentemente nos afastam nossos sentimentos de rancor, tristeza e violência.
          A Comunhão não é um rito de conveniência social ou um ato rotineiro; ela é em nós semente de vida e encontro com Deus. Sim, digo... com Deus em Jesus Cristo. Como não estaríamos maravilhados por causa deste insondável mistério da presença de Deus em nós, para a salvação de todos?”.



                                                                        ********


JESUS ESTÁ PRESENTE ENTRE NÓS sob as espécies do pão e do vinho na celebração eucarística, e sob as espécies do pão consagrado conservado com amor e carinho em nossos sacrários. Mas ele está presente também nos seres humanos. Não disse ele: “Tudo que fizerdes ao menor dos meus irmãos, é a mim que o fazeis?” Portanto os outros, sejam quem forem e o que forem, são também espécies sacramentais da presença de Jesus. Como no pão e no vinho consagrados, também neles vemos as aparências mais diversificadas, mas, debaixo delas está o Senhor. Devemos dedicar-lhes todo respeito e veneração. 

ORAÇÃO PESSOAL E COMUNITÁRIA

A oração pessoal e a oração comunitária se complementam. Nenhuma das duas é perfeita sozinha. Uma precisa da outra para dar frutos.


Nós temos dois santuários: um santuário imóvel, que concentra os santuários móveis. O santuário imóvel é a igreja. O santuário móvel é cada um de nós. É uma espécie de “santo dos santos”, onde só nós podemos entrar. É o nosso Santuário particular, onde entronizamos Deus e aí nos recolhemos todos os dias para estarmos com o Senhor, para falar, mas, sobretudo, para ouvir; e Deus tem tanta coisa bonita para nos dizer!

Este santuário íntimo, interior, é nosso, pessoal, inviolável, e somos nós que determinamos quem vai ocupar o altar; somos nós que determinamos a que Deus vamos adorar, amar e servir.

Já podemos imaginar que muitos destes santuários são habitados por ídolos, deuses falsos que poderíamos dizer, se resumem a sete, conforme os vícios capitais:

1. O deus da soberba: é o próprio ser humano que se auto-diviniza e se coloca no altar que deveria ser do único e verdadeiro Deus.
2. O deus da avareza e da ganância: o altar é ocupado por um cofre de dinheiro, com muito dinheiro, dando ao que o possui aquela sensação de segurança.
3. O deus da luxúria, que proporciona a quem o adora, toda espécie de reprováveis prazeres, sobretudo os da carne.
4. O deus da ira, que se compraz em ver seus adoradores dando vazão ao ódio, à vingança, à destruição e à morte, por palavras e ações.
5. O deus da gula, aparentemente inofensivo, cujo condão é satisfazer todos os apetites, até a saciedade, não apenas os do paladar.
6. O deus da inveja, que não tolera alguém ser mais ou ter mais, que faz de tudo para provocá-la nos outros, deus que se entristece enquanto numa família ou numa comunidade não coloca uns contra os outros fazendo as pessoas viverem uma vida de inferno antecipado, encontrando nisto o seu gozo.
7. Enfim, o “simpático” deus da preguiça. Não tanto a preguiça que leva a pessoa a nada fazer, mas aquela que leva ao comodismo espiritual. Quando se trata de Deus de verdade, da Igreja, do serviço ao próximo, ai que canseira! Em muitos santuários estão entronizados estes deuses.

Mas há também aqueles santuários que não têm deus algum. Tais santuários estão entregues às aranhas que neles tecem suas teias, santuários entregues ao pó e aos morcegos, santuários em que, por fora e por dentro, o capim toma conta.

No santuário do nosso coração, sem dúvida, está Deus, porque queremos que Ele reine sobre nós. Mas, nós mesmos, quantas vezes fomos infiéis a Deus. Quantas vezes, para satisfazer o nosso desejo de pecado, dissemos a Deus: por favor, meu Deus, desce daí um pouquinho, eu quero colocar o deus da ira, da inveja, da soberba, da preguiça para me divertir. O Senhor é um Deus que só pede renúncias, ao passo que os outros deuses me dão prazeres e satisfações já aqui e agora, enquanto o Senhor nos promete, sim, as verdadeiras alegrias, como diz, mas num longínquo futuro. Depois, meu Deus, eu me arrependo e, de novo, o Senhor poderá ocupar o altar no santuário do meu coração.

As nossas faltas veniais e os pecados que cometemos inconsideradamente são um sinal não apenas da nossa natureza propensa ao mal, como também da nossa falta de boa vontade para combater o mal que existe em nós. As faltas veniais e os pecados cometidos sem pensar são sinais de maus hábitos inveterados em nós. Isto não é bom sinal. Seja como for, o santuário do nosso coração é o lugar do nosso encontro com Deus em oração pessoal. Neste santuário podemos entrar na hora em que quisermos e ali ficarmos o tempo que acharmos melhor.

A oração pessoal é, sem dúvida necessária, pois além do mais ela é a base da oração comunitária. Nesta oração, Deus se nos dá a conhecer. Nesta oração Deus também nos faz perguntas e espera as nossas respostas e, com base nelas e de acordo com a nossa disponibilidade e generosidade, nos chama e nos envia, confiando-nos uma missão. Quem tem medo de se colocar à disposição de Deus, os acomodados, esquivam-se. Quem reza sozinho, sente a necessidade de rezar com os outros; percebe que a sua oração não será completa sem a oração dos outros. Por isso, procura não apenas um grupo de oração, mas a igreja mais próxima para unir-se à oração da grande assembleia. Ali, a oração adquire a sua  plenitude. Ali, quem reza, sente-se bem.

Agora, a oração comunitária sem a oração pessoal é vazia, como vazia é a oração  pessoal que não tende para a oração comunitária. A grande oração comunitária, na qual nós oramos como Igreja, Corpo Místico de Jesus, é a Santa Missa, porque nesta oração nós nos unimos a Cristo e Cristo faz Sua a nossa oração. Na Missa a nossa oração fica perfeita, porque Jesus, assumindo a nossa oração como Cabeça deste Corpo, torna-a perfeita e, portanto, do perfeito agrado do Pai. Então, quem verdadeiramente reza, quem não faz da sua oração pessoal uma espécie de obrigação, ou uma repetição de palavras decoradas, ditas maquinalmente e distraidamente, quem verdadeiramente reza, procura com frequência semanal a igreja.

Pela participação na Missa dominical podemos ver como muito pouca gente reza de verdade, porque no altar íntimo do santuário do seu coração estão outros deuses, ou o trono do verdadeiro Deus é dividido com ídolos. A oração pessoal leva à oração comunitária e ambas se enriquecem mutuamente, elevando a pessoa até Deus, sempre mais perto dele, e aproximando-a sempre mais perto de seus irmãos.

O REINO DE DEUS É UMA FESTA, MAS NÃO UM ESPETÁCULO

         

O Papa Francisco, na homilia da missa do dia 13 de novembro de 2014, na Capela da Casa Santa Marta, quis explicar como é o Reino de Deus, ao qual todo cristão está chamado.
“O Reino de Deus cresce a cada dia graças a quem o testemunha sem fazer ‘Barulho’, rezando e vivendo com fé os seus compromissos na família, no trabalho, na comunidade... O Reino de Deus não é espetáculo. O espetáculo  muitas vezes é a caricatura do Reino, disse o Santo Padre, comentando a passagem do Evangelho sobre o fim do mundo, quando começarão a dizer: ‘Ei-lo aqui...   ei-lo ali... pois eis que o reino de Deus está no meio de vós.’
O Senhor nunca disse que o Reino de Deus é um espetáculo. É uma festa, mas diferente. É festa, é bela, é uma grande festa, e o céu é uma festa, não um espetáculo.
A nossa fraqueza humana, no entanto, prefere o espetáculo. A festa do Reino de Deus é silenciosa, cresce por dentro. O Espírito Santo é quem o faz crescer com a nossa disponibilidade na nossa vida na terra, que nós devemos preparar.
É preciso zelar pelo Reino de Deus que está dentro de nós com a oração, a adoração e o serviço da caridade, silenciosamente. Cabe deixá-lo crescer em nós e deixar que o Espírito Santo venha, nos transforme a alma e nos leve avante no silêncio, na paz, na serenidade, na proximidade a Deus, aos outro, na adoração a Deus sem espetáculos.”

O QUE ACONTECE AO HOMEM APÓS A MORTE?



Eis o que escreveu um pastor adventista (Irineo E. Koch):

Sem preconceitos, sem fórmulas pré-concebidas, creio sem dúvida que a Bíblia foi inspirada pelo nosso Criador. Ela possui textos claríssimos sobre o que acontece ao homem após a morte. Note como a verdade é simples e clara:

- A Bíblia diz que os mortos não sabem coisa nenhuma. (Eclesiastes 9,5)
- Diz também que eles não têm nenhum tipo de recompensa. (Ecl. (9,5)
- Não têm memória de nada. (Ecl 9,5)
- Os mortos não têm sentimento algum. ( Ecl. 9,6)

- Os mortos não sabem de nada do que acontece debaixo do sol. (Ecl.9,6)
- Após a morte, não existe obra, nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma. (Ecl. 9,10)
- Os mortos não adoram a Deus. (Sl. 115,17)


O ser humano é mortal, e o estado do homem na morte é comparado ao sono, a exemplo da ressurreição de Lázaro descrita em João 11,11-14:
Disse Jesus:
- Nosso amigo Lázaro dorme, mas vou despertá-lo.
Os discípulos responderam:
- Senhor, se ele está dormindo, se salvará.
Eles julgaram que falasse do repouso do sono. Então Jesus lhes falou claramente:
- Lázaro morreu. Onde o colocastes?
- Senhor, vem e vê.
Diante do túmulo, Jesus gritou em alta voz:
- Lázaro, vem para fora! – e o morto saiu...  - Desatai-o e deixai-o ir.


Os adventistas afirmam que a crença na imortalidade da alma é verdadeira falsificação luciferiana. O que para nós é imortal, para eles é a “respiração” ou o “fôlego” de vida, como dizem, de tal maneira que quando uma pessoa para de respirar quando morre, morre tudo o que ela é. Para os adventistas, afirmar que a alma humana é imortal é um pecado luciferiano no qual caíram todas as Igrejas Cristãs.


Como é que o católico vai sair dessa? Muito simples, usando também a Bíblia:
- Eclesiastes 12,7: “Lembra-te do teu criador nos dias da mocidade... antes que o pó volte à terra de onde veio e o sopro volte a Deus que o concedeu”. O pastor ficou no capítulo 9 e esqueceu-se de ir um pouquinho mais a adiante.
- Salmo 118,17: “Jamais morrerei, eu viverei para contar as obras de Deus”.
- Eclesiástico 8, 6: “Grande é a aflição que pesa sobre o ser humano porque NÃO SABE O QUE VAI ACONTECER” e ninguém diz “COMO VAI SER”.  (Devemos lembrar que o livro do Eclesiástico não é aceito pelos protestantes em geral.) 
- Salmo 115,17: “Os mortos já não louvam a Deus, nem os que descem ao lugar do silêncio.”.  
 - Gênesis 25-8: A Bíblia fala de pessoas que morrem e vão unir-se aos seus antepassados em Abraão.
- Gênesis 49,33: “Depois Abraão expirou: morreu numa velhice feliz, idoso e saciado de dias, e foi reunido aos seus.”.
- Deuteronômio 32,50: Anúncio da morte de Moisés: “Morrerás no monte em que tiveres subido e irás reunir-te aos teus pais.”.
- l Reis 2,10: “Davi adormeceu com seus pais e foi sepultado na cidade de Davi.”.
- 2 Macabeus 12,43-45: Sacrifício pelos mortos: Judas Macabeu fez uma coleta em dinheiro e reuniu duas mil dracmas de prata, enviando-as a Jerusalém para que se oferecesse um sacrifício pelos mortos em guerra. Era santo e piedoso o seu modo de pensar. “Mandou oferecer esse sacrifício pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado.” Os livros de Macabeus também não são aceitos pelos protestantes.
- Lucas 23, 42-43: O bom ladrão: “Jesus, lembra-te de mim quando vieres com teu reino. Ele respondeu: Em verdade, eu te digo, hoje estarás comigo no paraíso.”.
- Mateus 17,3: Na transfiguração de Jesus, no monte Tabor, “junto a ele aparecem Moisés e Elias”.
- Mateus 22,32: “Eu sou o Deus de Abraão, Isaac e Jacó. Ora, Deus não é Deus de mortos, mas sim de vivos.”

- Lucas 16,23-24: Parábola do rico Epulão e do pobre Lázaro. Ambos morreram. O rico na mansão dos mortos vendo ao longe Lázaro no seio de Abraão, suplica: “Manda que Lázaro venha molhar minha língua...”
- Filipenses 1,23-24: O apóstolo São Paulo deseja morrer para estar com Cristo.
- 2 Coríntios 5,1-2: “Sabemos, com efeito, que se a nossa morada terrestre, esta tenda, for destruída, teremos no céu um edifício, obra de Deus, morada eterna.”.
- Apocalipse 6,9: “Quando abriu o quinto selo, vi sob o altar as almas dos que tinham sido imolados por causa da Palavra de Deus”.
- Apocalipse 14,1-5: “Tive depois esta visão: Eis que o Cordeiro estava de pé sobre o Monte Sião com os cento e quarenta e quatro mil que traziam escrito na fronte o nome dele e de seu Pai.”
- João 14,2: “Na casa de meu Pai há muitas moradas... vou preparar-vos um lugar... a fim que estejais comigo”.

- 1 Sm 28,3-15: Saul e a feiticeira de Endor. Samuel tinha morrido. Saul pediu que lhe trouxessem uma mulher que praticasse a adivinhação.
- Jó 19,25-26: “Eu sei que o meu Defensor está vivo e que no fim se levantará sobre o pó, quando tiverem arrancado esta minha pele, fora de minha carne verei a Deus.”.
    


SCHEOL - Lugar além- túmulo no qual os judeus colocavam a morada dos defuntos numa espécie de vida diminuída, inativa, na escuridão. É mencionado muitas vezes no A.T., por exemplo, em Isaías 5,14, Provérbios 1,12 e 30,16. Era imaginado como um lugar debaixo da terra ou debaixo das águas ou sob as águas do oceano (Jo 26,5). Os últimos Livros do A.T. vão abrindo maiores perspectivas, que Cristo, finalmente, esclarecerá.
----------------------

COM A MORTE inicia-se uma sequencia de surpresas, boas ou más. Elas dependem do caminho que agora, em vida peregrina, a gente tomar, o certo ou o errado. Se alguém pensa que a vida termina na gaveta de uma sepultura, está atrasado. Precisa atualizar-se. “Que alegria quando ouvi que me disseram: vamos à casa do Senhor!” (Sl 122, 1);  “A minha alma tem sede de Deus. Quando terei a alegria de ver a face do Senhor?” (Sl 42, 3).