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domingo, 1 de dezembro de 2013

Jesus vem para salvar.

Tempo de Advento. Tempo da chegada de Jesus que veio uma vez, continua vindo e um dia virá pela última vez. 
Tempo de Advento, tempo de preparar a vinda insistente de Jesus, que não se cansa de bater à porta de muitos corações que insistem em não abrir. Porque será? Não dar atenção a Jesus que bate à porta do coração de cada um e não lhe dar entrada...Alguma razão deve haver. Talvez dentro dele não caiba mais um. Se a casa do coração estiver lotada com os demônios da soberba ou do orgulho, da avareza ou da luxúria, da ira, da inveja ou da preguiça com todos os seus filhotes, aí está a resposta porque não cabe mais um, porque este um que é Jesus quer ocupar toda a casa e torná-la, com sua presença, limpa, luminosa, perfumada, feliz.
Há quem aprecie viver no "lodaçal das paixões" porque não precisa se dar ao trabalho de se limpar, porque se sente bem assim, até o dia da sua transferência para a eternidade, onde, com os companheiros da mesma laia, viverá uma nauseante eternidade.
Advento, tempo de chegada do Senhor. Jesus veio, vem e virá. Veio uma vez em Belém, não se cansa de vir, porque há muito a fazer, mas um dia virá, que será pela última vez. Quem o aguardou, quem o esperou, será feliz. Os outros dirão: "Senhor, não foi em teu nome que profetizamos? Não foi em teu nome que fizemos tantos milagres?" Então Jesus lhes dirá: "Jamais conheci vocês! Afastem-se de mim, malfeitores!" (Mt 7, 22-23).
Parece que Jesus, com estas palavras duras, se dirige mais aos sacerdotes, sem descartar todo cristão, porque todos têm o dever de entrar na escola de Jesus, ouvir sua palavra de mestre e colocá-la em prática, porque "Quem ouve essas minhas palavras e as põe em prática é como um homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha...Por outro lado, quem ouve essas minhas palavras e não as põe em prática é como um homem sem juízo que construiu sua casa sobre a areia..." (Mt, 7, 24-27).
Não devemos ser cristãos só para gasto próprio; não devemos ser como abelhas que fabricam o mel para o próprio consumo. Devemos produzir frutos em boas obras para que também outros os consumam, e eles também façam o mesmo, num intercâmbio fraternal.
Advento foi ontem, advento é hoje, advento será amanhã. Sem dúvida, antes do último advento de Cristo nós faremos o nosso advento-chegada aos pés de Deus. E daí? O futuro eterno depende agora de nós. Com a vida não se brinca.
"Não se iludam, diz o apóstolo Paulo, pois com Deus não se brinca; Cada um colherá aquilo que tiver semeado. Quem semeia nos instintos egoístas, dos instintos egoístas colherá corrupção; quem semeia no Espírito, do Espírito colherá vida eterna. Não nos cansemos de fazer o bem; se não desanimarmos, quando chegar o tempo, colheremos. Portanto, enquanto é tempo, façamos o bem a todos,especialmente aos que pertencem à nossa família na fé". (Gl 6, 7-10).

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Homilia - Alegrai-vos! O Senhor está próximo! Terceiro Dom. Adv. Ano C

1 - "Vós sereis o meu povo e eu serei o Senhor vosso Deus", palavras ditas por Deus a Moisés (Ex. 6,7) quando chamado para ser o libertador e condutor do povo de Israel, da escravidão do Egito rumo à Terra Prometida. Diversas vezes estas palavras foram repetidas para que Israel não esquecesse que era o Povo, entre tantos, escolhido por Deus. Todo Povo bem organizado tem a sua constituição ou forma de govêrno com seus estatutos e suas leis. "No monte Sinai, Deus revelou seu nome a Moisés (Ex. 3), fez aliança com seu povo recém-tirado da escravidão (Ex. 19-40) e propôs novos princípios de vida social e religiosa" (Lev. 1-10). Ao pé do monte Sinai, Israel se torna oficialmente Povo de Deus, povo de um Deus que está perto e que protege. A aliança ou contrato de Deus com o povo consta de  poucas leis: apenas os Dez Mandamentos. "Se obedecerdes a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis o meu povo particular entre todos os povos". (Ex. 19, 5). "Moisés tomou o livro da aliança e o leu ao povo, que respondeu: Faremos tudo o que o Senhor disse, e seremos obedientes". (Ex. 24,7). Esta aliança foi renovada muitas vezes, porque muitas vezes o povo não foi fiel à palavra. Esqueciam os compromissos assumidos, prometeram obediência mas desobedeciam. Então eles ficavam abandonados por Deus e, longe de Deus só lhes vinham desgraças. Deus entretanto, permaneceu fiel a este povo porque dele haveria de nascer o salvador.
2 - Passaram-se muitos anos, mas à medida que os anos passavam, aproximava-se o dia em que as promessas de Deus seriam cumpridas. O profeta Sofonias animava o povo dizendo: "Canta de alegria, cidade de Sião; rejubila, povo de Israel! Alegra-te e exulta de todo o coração, cidade de Jerusalém! O teu Deus está no meio de ti". (Sof. 3, 14-17). "A alegria a que se refere o profeta Sofonias não é uma fantasia, mas uma realidade profunda que vem do estar em paz com Deus."
3 - "Se Jesus está entre nós, se está assim tão próximo, que devemos fazer? Era o que as multidões perguntavam a João Batista. A todos, ao povo, aos publicanos e aos soldados ele impõe um comportamento preciso como sinal de conversão: não fazer do egoísmo o critério de suas ações; não se aproveitar do ofício ou da profissão para se enriquecer injustamente. Estes já são uns sinais suficientes que demonstram conversão, mudança de vida. É um bom começo. Mas é necessário ir além como "ver e apreciar o que há de bom nos outros com um olhar e juízo otimistas"; é um aspecto do otimismo que provém da certeza de viver com Deus.
4 - "O fato de ter nos céus um Pai comum, que nos ama e com quem nos podemos encontrar, é uma fonte de alegria para os cristãos, alegria que deve ser comunicada, dada aos outros". - Há pessoas que se contentam com uma alegria superficial e passageira; daí a razão porque vão constantemente atrás das alegrias que se acabam. A alegria de estar com Deus, alegria que transvasa no amor ao próximo é uma alegria perene. A única coisa que pode tirar esta alegria é o pecado. Entretanto sempre podemos reavê-la no sacramento da confissão ou reconciliação. - Dizia Madre Teresa de Calcutá: "Todos desejamos o céu, onde Deus habita, mas depende de nós o estarmos no céu com ele já agora, o sermos felizes com ele neste momento. Mas sermos felizes com ele agora, significa: amar como ele ama, ajudar como ele ajuda, dar como ele dá, servir como ele serve, salvar como ele salva, ficar vinte e quatro horas com ele, encontrá-lo em suas tristes aparências".
5 - "Alegrai-vos! O Senhor está perto! Jesus veio, Jesus virá, Jesus vem. Jesus veio a nós quando nasceu em Belém de Judá; Jesus virá no fim dos tempos para nos julgar e ver se vivemos a nossa fé manifestada na caridade. Mas Jesus vem também agora para todos aqueles que abrirem a porta do seu coração para os seus e nossos irmãos sem  discriminação alguma. (Missal dominical).

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Homilia - A redenção está próxima. Primeiro Dom. Advento. - Ano C

1 - A palavra "redenção" significa resgate, no nosso caso redenção ou resgate da humanidade por Jesus Cristo. O resgate implica um preço. Jesus pagou este preço pela libertação dos nossos pecados que nos tornavam escravos do demônio e o preço foi o seu sangue derramado, a sua vida. Daí nos dizer o apóstolo Pedro: "Vós sabeis que não é por bens perecíveis como a prata e o ouro que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver mas pelo precioso sangue de Cristo" (1Pd. 1, 18). Não podemos menosprezar tão alto preço pela nossa salvação. Se o Filho de Deus se fez homem para impedir o perigo da nossa condenação eterna é que necessitávamos de um redentor assim, ao mesmo tempo em que ele nos prova, de maneira tão real o seu amor para conosco: "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos" (Jo. 15, 13). Dar a vida pelos amigos é difícil, mas não tanto; mas dar a vida pelos pecadores é o máximo do amor. Diz-nos o apóstolo Paulo: "Eis aqui uma prova brilhante do amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós". (Rom. 5, 8).
2 - Estamos nos preparando para celebrar com alegria este grande acontecimento na história do mundo: O Natal, ou o nascimento do Filho de Deus que, sendo eterno, tem um começo como homem, em tudo semelhante a nós com exceção do pecado (Hb 4, 16). Ele se tornou cidadão do mundo, nosso concidadão no dia em que com Maria sua mãe e com José foi registrado nos livros da comarca de Belém quando da ordem do imperador Cesar augusto que determinava fossem todos os habitantes de seu império recenciar-se em sua cidade de origem (Lc. 2, 1-5).
3 - A igreja celebra com muita festa o aniversário de Jesus o Filho de Deus. Mas a festa da Igreja é na solene liturgia. É festa do coração, alegria interior que se manifesta de maneira singela através das leituras, orações e cantos. É uma festa cuja alegria transborda depois na reunião da família e na paz, aquela que Jesus trouxe ao nascer e que os anjos não se cansavam de repetir ao mundo, mas que só os pastores ouviam porque estavam com o coração aberto para Deus: "Glória a Deus nas alturas e, na terra, paz aos homens por ele amados, porque homens da boa vontade".
4 - Jesus no Evangelho (Lc. 21. 25 - 28. 34 - 36) fala sobre o fim do mundo que pode acontecer a qualquer hora. "Haverá sinais no sol, na lua, nas estrelas, As pessoas ficarão angustiadas e com pavor do barulho do mar, vão desmaiar de medo só em pensar no que vai acontecer. Então verão o Filho do Homem, isto é, Jesus, vindo numa nuvem com grande poder e glória, isto é, com tudo aquilo que ele é em sua grandeza. Os que estiverem preparados para esta hora deverão erguer a cabeça com satisfação e alegria porque sentirão que valeu a pena sofrer e sacrificar-se pela sua fé em Cristo, sentirão que a sua libertação está próxima.
5 - Jesus disse que esse dia cairá de repente sobre as pessoas que ficarem insensíveis a estes alertas por causa da gula e da embriaguez, aqueles que só pensam em comer e beber do bom e do melhor e por causa das preocupações materiais que tomam todo o tempo não dando espaço para dar atenção às coisas futuras, além desta vida; naquele dia terão surpresa desagradável, porque infelizmente, não haverá mais tempo. Jesus nos pede que vivamos em vigilância constante, isto é, sem pecado. E quando por fraqueza cometermos algum, quanto antes nos livremos dele pelo arrependimento e por uma confissão sincera. Vivendo na graça, na amizade de Deus, vivendo uma vida pura, seremos felizes quando o dia chegar, porque chegou nossa libertação. "É para que sejamos pessoas livres que  Cristo nos libertou" (Gl. 5, 1). "Portanto fiquemos firmes e não nos submetamos outra vez ao jugo da escravidão". A nossa vida neste mundo é provisória. A vida para além da morte é eterna. A vida para além da morte pode ser de salvação eterna ou de eterna condenação. Quem de nós quer a eterna condenação? - Ninguém!
Então andemos desde agora pelo caminho da salvação. É o que Jesus, nascendo em Belém, quer para todos.