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domingo, 2 de fevereiro de 2014

A abstração quer se impor à realidade.

"A utopia , conhecida no ambiente rarefeito dos gabinetes intelectuais, padece do mal da abstração. Perfila um homem impecável, um sistema irretocável. Depois, ao topar com o homem real, com suas grandezas e misérias, não admite a evidência das limitações teóricas. Brota, então, o delírio persecutório, a síndrome da conspiração. Radicaliza-se o sonho. A abstração quer se impor à realidade. E o humanismo inicial cede espaço ao obscurantismo" (Oscar Wilde)

"O sonho racionalista projetou poucas luzes e muitas sombras".

"Frequentemente, salienta Oscar Wilde com boa dose de argúcia, "as melhores intenções produzem as piores obras" A Revolução francesa, por exemplo, não gerou apenas um magnífico ideário. A utopia de 1789, em nome da "igualdade", da "fraternidade" e da "liberdade", desembocou no terror da guilhotina.
- A 2ª Guerra Mundial não foi acionada por gatilhos religiosos. O holocausto do povo judeu, fruto direto da insanidade de Hitler, teve alguns de seus pré-requisitos na filosofia da morte de Deus. Nietzsche, o orgulhoso idealizador do super-homem, está na raiz imediata dos campos de concentração e de extermínio programado. E não foi a religião que desencadeou o Arquipélago Gulag do stalinismo. Feitas as contas, com isenção e honestidade intelectual, é preciso reconhecer que o sonho racionalista projetou poucas luzes e muitas sombras.
Afinal, lembrando o personagem de Dostoiévski, "se Deus não existe, tudo é permitido". Até mesmo a eliminação da vida. Até mesmo a supressão da liberdade" 
(Carlos Alberto Di Franco - Gaz. do Povo, 31-01-2005)